Vagas acabam em UTI e sistema de saúde está à beira do colapso em Manaus

Redação
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Manaus | Com o aumento dos casos de Covid-19 nas últimas semanas, Manaus se aproxima de um novo colapso na saúde. Pelos menos dois hospitais privados da capital já divulgaram lotação máxima de seus leitos para tratamento da doença. A rede pública também se aproxima da totalidade de sua capacidade.

Apenas na tarde deste domingo (27), 88 novos pacientes deram entrada em unidades hospitalares por Covid-19 na capital, além de sete no interior. O número de 95 novos pacientes em um único dia não era atingido desde o mês de maio, durante o pico da pandemia.

O Estado atingiu a quarta fase do Plano de Abertura de leitos para a Covid-19. A rede estadual possui hoje 806 leitos exclusivos para paciente com Covid, divididos entre os Hospitais 28 de Agosto, Adriano Jorge, Getúlio Vargas, Platão Araújo e a particular Beneficente Portuguesa. Há ainda a possibilidade de habilitação de leitos do Hospital da Universidade Nilton Lins, não mais como unidade gerenciada pelo Estado e sim atuando como unidade da rede particular.

Retorno do Hospitais de Campanha

Para a médica BM*, da rede privada de saúde, o retorno dos hospitais de campanha já devia estar sendo discutido. “É muito importante que tenhamos os hospitais de campanha. A expectativa é que janeiro seja um mês muito difícil, pois não teremos onde internar novos pacientes. Os hospitais nunca deveriam ter sido desativados, especialmente com a população não aderindo às restrições, indo a festas clandestinas e ao comércio aberto sem fiscalização, além de não utilizar máscaras”, argumentou ela.

A profissional faz um alerta para a população. “Na rede privada já estamos lotados. Colegas médicos que atuam na rede pública podem afirmar a falta de leitos. Ou seja, quem precisar de leito não tem alternativa alguma, vai morrer em casa ou nos corredores dos hospitais”, finalizou.

Desassistência

Para buscar entender os fatores que levaram a esse quadro, o Grupo Diário de Comunicação (GDC) entrou em contato com o pesquisador da Fiocruz, Jesem Orellana. Segundo o pesquisador, o cenário da capital não é dos mais animadores. “Hoje, a expectativa para os próximos 15 a 30 dias na capital não é boa, pois as medidas necessárias não foram planejadas, devendo ter sido feitas antes das festas de final de ano, pois geraram muitos contatos nas festas, confraternizações e comércio”, explicou ele.

Com a explosão de casos recentes, os hospitais da capital ficaram próximos da lotação. “O quadro atual é de desassistência e de aumento do índice de mortalidade por Covid-19, sendo algo que era evitável. Provavelmente, essa onda irá superar a primeira. Manaus já está com falta de leitos”, comentou o pesquisador.

Apesar do alarmante momento, óbitos em massa não são esperados. “Uma explosão de óbitos é pouquíssimo provável, apesar do aumento de mortes, algo que já pode ser observado com o aumento da população nos cemitérios”, apontou Jesem.

Intervenções

Acerca da revogação do Lockdown proposto por Wilson Lima, após a pressão de manifestantes durante o final de semana, Orellana afirma que novos casos devem ser observados, por conta das  medidas preventivas estarem sendo ignoradas.

“A revogação do decreto é algo que compromete qualquer possibilidade de uma redução da circulação do vírus em Manaus, voltando ao marco zero, sendo esperado um alto patamar de adoecimento e mortes na capital. Não temos alternativa imediata, pois o lockdown rigoroso é inviável, necessitando de um dialogo com a sociedade, e de contribuição da mesma, algo pouco provável a governos que não gozam do prestígio da população, além da falta de preparo para planejar uma resposta antecipada, o que gerou o recuo do governo do Estado acerca da intervenção”, finalizou ele.

Publicado por: David Richard

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