URGENTE: Morre o mestre Klinger Araújo, o Furacão do Boi, vítima de Covid-19

Manaus | O levantador de toadas Klinger Araújo, de 51 anos, faleceu nesta terça-feira (29) vítima do novo coronavírus (Covid-19). A informação por familiares do artista.

Klinger Araújo estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Samel Prontocord, na avenida Álvaro Maia, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul da capital. O cantor estava com 75% do pulmão comprometido devido as complicações causadas pela Covid-19.

Foi a segunda vez que Klinger Araújo ficou internado na UTI da Samel. Na primeira passagem ele esteve de 10 a 11 de setembro na unidade hospitalar, mas foi liberado após apresentar melhoras. Porém, o cantor apresentou complicações da doença.

A cantora Vanessa Afalfaia, esposa do cantor, vinha acompanhando seu marido no hospital 24 horas por dia e Klinger Júnior, filho do artista, vem cuidado das questões burocráticas.

Trajetória

Natural de Parintins, Klinger Araújo veio morar em Manaus com 19 anos de idade. Ele foi radialista em veículos de comunicação como a Rádio Difusora do Amazonas, Novidade FM e Amazonas FM. Além disso, também foi locutor na TV Amazonas.

O artista foi um dos primeiros cantores de boi-bumbá na década de 1990 em Manaus. Ele ficou reconhecido por toadas como ‘Repeneirando’ e ‘Bumba Bumbum Bumbá’, consequentemente ganhou notoriedade nacional após participar de programas como Ratinho, Raul Gil e Planeta Xuxa.

Imitações

A veia de imitador acompanhou Klinger Araújo em todos os momentos de sua vida artista.
Como todos os imitadores, começou fazendo Silvio Santos, porém, já cantando e atuando nos palcos, passou a imitar outras famosos.
Mas suas imitações preferidas eram Zezinho Corrêa e Nunes Filho, performances para as quais se empenhava dançando e cantando para ressaltar as principais marcas dos dois.
Nos últimos meses, apostando num artista ainda mais performático, Klinger se preparava para cantar a música “We are the world”, imitando as vozes dos 45 artistas norte americanos que participaram gravação, em 1985.
Os ensaios para isso já haviam começado, mas foram interrompidos pela Covid-19.

Família

Klinger Araújo sonhava ter uma família de aristas.

Tanto que colocou nos palcos, ainda com cinco anos de idade, o filho Klinger Júnior, que, já adulto, distanciou da música, dedicando-se a outras atividades.
Mas ele insistiu e no fim do ano passado inscreveu o filho para participar da seleção de artistas do Boi Manaus 2019.
Klinger Júnior não apenas venceu a disputa, mas também acabou criando um problema para o pai.
É que uma de suas adversárias foi sua madrasta, a cantora Vanessa Alfaia (29 anos).
A outra aposta de Klinger é sua filha Iandiara, de 8 anos de idade, que ele, sempre que podia, colocava-a em seus shows.

Flauta

Outra paixão de Klinger era sua inseparável flauta. Para onde ia, ele levava o instrumento.
Entre as grandes apresentações que fez com a flauta, está a abertura do Teatro da Vida, espéculo que o também já falecido cantor Arlindo Júnior fez no Teatro Amazonas, em abril de 2017.

Idealizador e fundador do #Toadas

No fim de 2016, com o arrefecimento do movimento bovino em Manaus e falta de renda dos artistas em Manaus, Klinger começa a discutir com outros artistas a criação de um movimento para recolocar a toada no mercado.

Surge a ideia de comprar horário de rádio e TV, mas, sem recursos, a ideia evolui para a utilização da Internet como meio de propagação do ritmo dos bumbás.
Nasce, então, o #Toadas, inaugurado por ele, juntamente com Neil Armstrong, Juliano Santana Petro Velho e Neuton Corrêa, no dia 31 de dezembro de 2016.

Klinger ainda participa de mais duas edições do programa e resolve criar o seu próprio espaço nas redes sociais.
As duas experiências puxam um enorme movimento e o movimento bovino volta a se reaquecer em Manaus.

Edição: David Richard