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Circulou nas redes sociais nas últimas semanas uma teoria que diz que foi descoberta uma “cidade perdida na Amazônia” chamada Ratanabá, que teria sido soterrada e que “foi a capital do mundo há 450 milhões de anos”. A história, divulgada pelo grupo denonimado “Dakila Pesquisas”, é infundada.

A teoria foi compartilhada por uma página de fofoca com mais de 17 milhões de seguidores no Instagram. No Twitter, a mesma página chegou a se retratar no dia seguinte. “O perfil caiu numa fake news que vem circulando diariamente no TikTok e demais redes. Pedimos nossas sinceras desculpas”, diz um comunicado. Houve ainda um pico de buscas pelo termo Ratanabá entre os dias 10 e 11 de junho no Google.

O que seria Ratanabá?

O discurso da Dakila Pesquisas, sem embasamento em estudos arqueológicos e geológicos, aponta Ratanabá como uma cidade na região amazônica que teria sido “a capital do mundo” há 450 milhões de anos, e que foi construída pelos “muril”, denominada como a “primeira civilização da Terra”.

No entanto, não há registro de ancestrais humanos há 450 milhões de anos, e menos ainda na Amazônia, de acordo com o professor do Laboratório de Arqueologia dos Trópicos do MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia) da USP, Eduardo Góes Neves.

“Nesse período nem os dinossauros existiam. Nossos ancestrais [humanos] mais antigos viveram há, mais ou menos, 315 mil anos [e não milhões], e nossos ancestrais mais remotos, há 6 milhões de anos”, explica o arqueólogo.

Outro ponto da teoria de Ratanabá que não tem amparo nos fatos é considerar a região amazônica como “o berço da humanidade”. Segundo Neves, “o berço da humanidade é a África”, de onde datam os fósseis humanos mais antigos, há 300 mil anos.

“A origem da nossa espécie homo sapiens está na África. Temos décadas de pesquisas científicas que trazem um quadro totalmente diferente do apresentado por essa teoria”, esclarece o professor.

Na região amazônica, a presença humana mais antiga data de 12 mil anos atrás. “Eram populações que fizeram pinturas rupestres. Esses povos todos eram ancestrais dos povos indígenas contemporâneos”, afirma Neves.

Nas redes sociais da Dakila Pesquisas é possível identificar outras teorias conspiratórias e desinformações como a defesa da terra plana e o uso da cloroquina contra Covid-19. Seu fundador, Urandir Fernandes de Oliveira, é conhecido como “criador do ET Bilu”.

Publicado por: David Richard

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