4 de dezembro de 2021

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Foz do rio Amazonas na mira da Petrobras para explorar petróleo; vídeo

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Amazonas | A Petrobras trabalhou em silêncio. Em agosto a empresa apresentou ao Ibama um pedido de licença de operação para explorar petróleo na sensível foz do rio Amazonas. O pedido  foi enviado em 30 de agosto mas a empresa só tornou o fato público em 22 de outubro. Ali, além de ser um local de extrema sensibilidade por ser a foz do rio mais caudaloso do planeta, ainda conta com recifes de corais que foram descobertos em 2016 encantando o mundo. O  conjunto  é enorme,  uma faixa com 1.000 km  de extensão,  por 40 km  de largura.  Os  corais  se estendem por uma área de 56 mil km2, equivalente ao Estado da Paraíba. Foz do rio Amazonas na mira da Petrobras é o tema de hoje.

A Foz do rio Amazonas

Ninguém acreditava  ser possível haver um ecossistema desse tipo debaixo da pluma de água doce e barrenta do Amazonas.

Descobertos há apenas cinco anos, eles formam o que os cientistas hoje chamam de Grande Sistema de Recifes do Amazonas (GARS, em inglês), com 56 mil quilômetros quadrados de extensão — do tamanho do Estado da Paraíba.

Imediatamente depois, estabeleceu-se uma polêmica entre as petrolíferas, ambientalistas, academia, e políticos pelo interesse em explorar petróleo e gás na região.

A Total tentou e não conseguiu autorização do Ibama

O Ibama rejeitou quatro solicitações feitas pela empresa francesa Total, antiga dona das concessões. Mas, em fevereiro deste ano, a Agência Nacional de Petróleo – ANP – aprovou a transferência dos cinco blocos para a Petrobras, segundo informa O Estado de S. Paulo.

O Estado diz que ‘a decisão ocorreu após a empresa francesa não conseguir avançar com o processo de licenciamento ambiental dos blocos, que estão localizados em uma das áreas mais sensíveis da região e extrema riqueza ambiental’.

Depois das negativas, explica o Estado, ‘à época, a Petrobras afirmou, em comunicado, que entrou em acordo com a Total para assumir “a operação e a integralidade das participações” da empresa nos blocos. Nos cálculos de geólogos, haveria até 14 bilhões de barris de petróleo, o que supera as reservas provadas do Golfo do México’.

Os riscos envolvidos na exploração

São muitos. Para começar, o litoral do Amapá e do Pará formam a maior faixa contínua de manguezal, o segundo mais importante berçário de vida marinha, só perdendo para os recifes de corais, considerados como uma ‘floresta tropical’ por sua biodiversidade.

Segundo o Greenpeace, além dos impactos ao bem-estar de animais como baleias, golfinhos, tartarugas e peixes-boi, há risco de contaminação de um dos maiores manguezais do mundo e devastação dos corais da Amazônia, antes mesmo de a ciência conhecer bem esse ecossistema.

Segundo o g1, ‘os blocos estão localizados em águas profundas, a aproximadamente 120 quilômetros do Estado do Amapá. As decisões anteriores que negaram a licença de operação, apontaram pendências graves nos estudos, por exemplo, a falta de definição dos procedimentos a serem adotados em caso de acidente ambiental’.

E, diz o g1, ‘as análises apontaram ainda que as etapas do processo de perfuração não estavam em conformidade com as regras da ANP’.

O g1 diz que ‘especialistas do Greenpeace defendem que o governo deveria negar licenças para atividades de exploração nestes blocos visando a preservação de ecossistemas sensíveis e ainda pouco conhecidos da região, como corais amazônicos’.

A decisão da Petrobras de requerer licença para exploração a poucos dias da abertura da COP 26 é também um excelente cartão de visitas para a delegação brasileira.

A ver qual será a decisão da autarquia agora.

Publicado por: David Richard

FONTE: G1

Assista ao vídeo sobre o estudo que levou à descoberta:

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