FGTS deve ser usado para quitar dívidas

Manaus – Pagar dívidas. Essa é a sugestão do coordenador do MBA de Gestão de Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira, para o trabalhador que vai sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“Como o pagamento vai ser feito à vista, deve-se negociar para obter desconto razoável no saldo devedor. Afinal de contas, a quitação da obrigação é também do interesse do credor. Caso não tenha dívidas, deve-se procurar antecipar pagamentos de cursos ou outras atividades com débito programado para os próximos meses, desde que sejam concedidos descontos atrativos”, explica Teixeira.

O especialista em gestão ressalta que com dinheiro na mão é possível negociar para abater a dívida ou trocá-la por outra com juros mais baixos. “Liste tudo o que você deve em cartões de crédito, cheque especial, carnês, boletos, empréstimos e financiamentos. Procure negociar diretamente com as instituições credoras. Vale a pena pesquisar antes no mercado as condições oferecidas e escolher a mais vantajosa”, destaca o professor da FGV.

Caso não tenha dívidas a saldar, nem antecipações que valham a pena fazer, o professor da FGV aconselha o trabalhador a criar uma reserva (com liquidez) para emergências. “Já tendo essa reserva, deve-se pensar em investir o dinheiro sacado, sempre respeitando o perfil de aversão ao risco de cada um. Se a pessoa já tiver investimentos, então pode-se pensar em consumir, mas lembrando que esse saque é uma antecipação da indenização por demissão sem justa causa ou por aposentadoria”, diz Teixeira.

Teixeira lembra que autorizados saques anuais do FGTS, o governo federal deve analisar qual será o reflexo em programas de construção habitacional e de infraestrutura, que usam recursos do fundo.
Com a liberação pelo governo federal do FGTS em contas inativas e ativas, o modelo tradicional de saques permanecerá. Cada trabalhador terá a liberdade de escolher se quer deixar o dinheiro parado no FGTS ou sacá-lo uma vez por ano, a partir do mês de aniversário. No caso do saque anual, o valor é limitado a R$ 500.

O governo federal estima que a liberação dos saques do FGTS (e do PIS/Pasep) vão injetar até R$ 42 bilhões na economia até o fim de 2020. Desse total, R$ 28 bilhões do FGTS e R$ 2 bilhões do PIS/Pasep serão liberados este ano. Os R$ 12 bilhões restantes, ano que vem.

Liberação de saques do FGTS ainda pode ter mudanças

O presidente Jair Bolsonaro não descarta que parlamentares façam mudanças na Medida Provisória que liberou saques de até R$ 500 de contas ativas e inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Em sua avaliação, porém, é preciso avaliar o impacto de eventuais alterações no financiamento de casas populares – uma das funções do fundo. Editada na última quarta-feira (24), a MP entrou em vigor imediato, mas precisa ser aprovada por deputados e senadores em até 120 dias. Nesse período, os parlamentares podem propor alterações.

“O Parlamento sabe muito bem, acho difícil eles (parlamentares) tomarem medida nesse sentido (de mudarem), mas têm todo o direito de tomar. Se botarem na ponta do lápis e falarem que não será atingida a construção de casas populares no Brasil, não tem problema. Está certo”, disse o presidente.

Segundo Bolsonaro, a liberação dos saques atende 82% das pessoas com conta do FGTS, já que o saldo da maioria é inferior a R$ 500. “Alguns falam que eu atendi interesse de construtoras. Não, eu atendi interesse do povo não majorando isso. E nós temos que ter recursos para continuar o programa Minha Casa, Minha Vida, que é muito importante para quem não tem onde morar. Essa que é a nossa intenção”, afirmou.

Algumas mudanças em relação à proposta do governo já começam a circular entre os parlamentares. O líder do Podemos, José Nelto (GO), afirmou que vai propor a elevação do limite de saque para R$ 1 mil. “O valor é pouco, poderia ser mais.O impacto na economia vai ser menor que em 2017, e o ideal seria que fosse maior”, afirmou.