Após 100 mil mortes por Covid-19 no País, Bolsonaro lamenta óbitos

Redação
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Após o Brasil ultrapassar a marca de 100 mil óbitos por Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo que lamenta cada morte, “seja qual for a sua causa”, e apontou o isolamento social como possível causa de outras mortes no País, na contramão do que dizem médicos, cientistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS). As declarações foram dadas em publicação no Facebook, após um dia sem fazer referências diretas à marca simbólica.

“Lamentamos cada morte, seja qual for a sua causa, como a dos 3 bravos policiais militares executados em São Paulo”, afirmou Bolsonaro. O presidente da República fez referência ao caso de um sargento e dois soldados da Polícia Militar mortos durante uma troca de tiros na região do Butantã, na zona oeste de São Paulo, na manhã de ontem.

– No Reino Unido, o Departamento de Saúde estima que 16 mil pessoas morreram das mais diversas formas, por não terem…

Publicado por Jair Messias Bolsonaro em Domingo, 9 de agosto de 2020

Para justificar o argumento contra o isolamento, Bolsonaro compartilhou um artigo publicado no portal do jornal britânico Daily Mail. “Conclui-se que o lockdown matou 2 pessoas para cada 3 de Covid no Reino Unido. No Brasil, mesmo ainda sem dados oficiais, os números não seriam muito diferentes”, escreveu.

O número citado no artigo compartilhado por Bolsonaro, porém, diz respeito apenas ao período de 23 de março a 1º de maio e faz relação às mortes por causas diversas após pessoas não irem ao pronto socorro. Em ocasiões anteriores, Bolsonaro havia falado que os efeitos da quarentena e a crise econômica matariam pessoas, e não apenas o vírus.

O comentário de Bolsonaro vai na contramão de especialistas e autoridades sanitárias. “No sábado, duas a cada três cidades brasileiras já perderam alguém para a Covid-19. Pesquisas recentes mostraram, inclusive, que o número de mortes seria muito maior se não houvesse isolamento social.

Conforme pesquisa da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o isolamento social, mesmo abaixo dos níveis desejáveis pelas autoridades sanitárias, poupou 118 mil vidas e evitou que 9,8 milhões de pessoas fossem contaminadas por covid-19 apenas em maio deste ano.

Médicos e cientistas afirmam que, para conter o avanço da doença, é preciso que as ações tenham como base um tripé: identificação e monitoramento precoce dos casos; etiqueta respiratória e cuidados pessoais; isolamento social, ou até lockdown, principalmente nos locais com alta transmissão.

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